segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O vento a guerrear contra as últimas lanças,
os túmulos entre as vestes revestidas de ilusão.
Mundo cão,
tomando a fome de crianças,
entre um último sustento doado a voz.
De quem não a tem (teve).

São rosas como as de ontem,
que douram as vestes,
que roubam do mundo qualquer vaidade,
dissimulada e egoísta.
São rosas como as de ontem,
cuja a aúrea resveste o céu de cinza num breve feito estrelado.

domingo, 6 de novembro de 2011

Esferas

Intercalar e transpor os abismos das vias estelares,
onde o vulto sinéreo de outrora a de condensar
meu espírito à amplitude da luz orbital.

Amar as cores mais simples que existem. É Poesia.
De onde vieste,
ó sombra pequena, volvida de sede?
De onde vieste,
tecido de seda, constelação estelar,
adjetivos benévolos?
O campo tranquilo em que se transmite teus olhos,
é o mesmo que dita a beleza maior:
Teu Coração.
Enquanto o mundo gira na roda caótica,
em que nos aniquila,
vejo-me na tua pacífica silhueta inexata à concretude dos outros.

Vejo-me de pé,
como num longo abraço,
onde se soltam flores ao nosso lado.
Num mar psicodélico o bastante,
que nos amarra e protege os Astros maiores.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"Um tombo sereno,
um caco de vidro mirado à alma,
balanços jogados sob a bruma de outubro.
Na praça não há mais gente.
Amanhã os pássaros hão de sair dos ninhos,
e devolver a fresta de luz existente nos ares.
Amanhã é um palpite,
uma taquicardia,
um suspiro nervoso e confuso.
Um tombo sereno,
e um último apelo generoso,
de quem vê o amor condessar-se no limbo pasmático
e adverso."
Para R.